Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Julho 03 2011

 

No dia 30 de Abril de 2011, foi inaugurada em Travancos de Lagos, A Casa da Poesia,  que guarda dentro de si a obra valiosíssima e prémios recebidos por MARIA AMÉLIA PINTO DE CARVALHO E ALMEIDA, uma das maiores Poetisas Contemporâneas Portuguesas e das primeiras associadas da APP. Não pude, com grande pena minha, estar presente neste evento e, por isso, utilizo as palavras que sua filha me enviou juntamente com uma colecção maravilhosa de fotos:

 

"EXMA SRA D. IVONE VAIRINHO

 

FOI COM IMENSA PENA QUE A  FAMÍLIA DA MARIA AMÉLIA DE ALMEIDA NÃO PÔDE CONTAR COM A SUA PRESENÇA  NO DIA DA INAUGURAÇÃO DA CASA DA POESIA, ONDE JUNTÁMOS TODO O ESPÓLIO  LITERÁRIO DA MINHA MÃE.

 

FOI UMA FESTINHA COM CERCA DE 80 PESSOAS ENTRE FAMÍLIA, AMIGOS E ENTIDADES LOCAIS, AS QUAIS INCLUIRAM 3 PRESIDENTES DE CÂMARAS  E 3 PRESIDENTES DE JUNTA ( ACTUAIS E ANTERIORES).

           
INICIOU-SE COM A APRESENTAÇÃO BIOGRÁFICA DA HOMENAGEADA,  QUE FICOU REPRODUZIDA EM QUADRO EXPOSTO NUMA DAS PAREDES E DO QUAL ENVIO  FOTO  ( ESPERO QUE POSSA LÊ-LO AUMENTANDO O TAMANHO).

 

NAS RESTANTES FOTOS, NUMA TEMOS O BISNETO BERNARDO, DESCERRANDO A LÁPIDE COMEMORATIVA. NOUTRA AINDA VÊ-SE A MÁQUINA DE ESCREVER QUE A ACOMPANHOU DURANTE 40 ANOS E A QUEM DEDICOU UM POEMA QUE SE ENCONTRA ENCAIXADO NA TAMPA

           
SEGUIRAM-SE ALGUNS TESTEMUNHOS DE PESSOAS QUE COM ELA CONVIVERAM E A LEITURA DE POEMAS CRIADOS PROPOSITADAMENTE PARA O MOMENTO E A ELA DEDICADOS, POR POETAS DE RENOME (DOMINGOS CARDOSO, BATISTA COELH0 E EMÍLIA PENÃLBA, ENTRE OUTROS).  

 

NO SALÃO DA JUNTA DE FREGUESIA  LOCAL, FOI OFERECIDO UM ALMOÇO AO QUAL SE SEGUIU UMA TERTÚLIA QUE TEVE INÍCIO OUVINDO A VOZ DE  MARIA AMÉLIA, LENDO UM POEMA DE SUA AUTORIA. MUITOS OUTOS TAMBÉM DE  SUA AUTORIA FORAM DECLAMADOS PELOS PRESENTES.

 

FOI UMA FESTA SIMPLES MAS MUITO EMOTIVA.

 

JUNTO ALGUMAS FOTOS DO INTERIOR DA CASA DA POESIA, ONDE SE ENCONTRAM TODOS OS PRÉMIOS POR ELA GANHOS BEM COMO MUITA OUTRA DOCUMENTAÇÃO RELACIONADA COM A SUA ACTIVIDADE LITERÁRIA.

 

SEMPRE AO SEU DISPOR, COM AMIZADE

MARIA LEONOR"

 

 

Que bela oportunidade para um passeio organizado pelo nosso Amigo António Pais da Rosa - Visita à Casa da Poesia de uma das mais prestigiadas Poetisas da Associação Portuguesa de Poeta, MARIA AMÉLIA PINTO DE CARVALHO E ALMEIDA, ainda muito viva na lembrança dos associados da APP, na zona idílica de Travancos de Lagos, Oliveira do Hospital , no coração da Serra da Estrela.

 

Uma sugestão de Maria Ivone Vairinho - Sócia Honorária da APP

 

 

  

 

 

  

  

  

  

 

 

 

 

publicado por mariaivonevairinho às 23:24

Dezembro 24 2010

 

veja o video em

 

http://www.youtube.com/watch?v=RPNMDzdeDBQ

 

Maria Ivone Vairinho

publicado por appoetas às 18:20

Maio 02 2010

 

 

 

De rosas era teu dia
o pessegueiro floria
os pássaros em revoada
vinham pousar no beiral

quando o sol iluminava
a roseira, o quintal.

 

Hoje, a tua-minha casa
nada tem de ti vazia
é roseira ressequida
raiz na rocha implantada
só pelo vento batida.

 

Saudade por não te ter
saudade por não te ver
trazem  águas salgadas
nos rios que correm nos montes
e brotam nas minhas fontes

 

Maria Ivone Vairinho

 

publicado por appoetas às 19:34

Maio 02 2010

 Mãe,

Anjo da Guarda
Da vida minha.

 

Presente estiveste
Em cada momento
Que de ti precisei.

 

 

Uma presença Amiga
No gesto tão simples
(Por vezes tão difícil
Mas tão sublime)
De estender a mão
Não para pedires
Nem te amparares
Mas para te dares.
 
Porque assim quiseste
— tua foi a opção —
Da tua vida fizeste
Um poema belo
De inteira doação.
 
Alegrias e tristezas
Risos e lágrimas
Juntas partilhámos.

 

Na última angústia
No medo enorme
Que me invadiu
Quando eu fraquejei
Quando eu duvidei
Foste a rocha firme
Em que me apoiei.

 

Na certeza antecipada
De que tudo bem correria
Murmuravas rezando
Com a Fé enorme
Que vem dos céus:
"Muitas graças vou ter
Que Vos dar, meu Deus".

 

Ao olhar para ti
Para a prata dos teus cabelos
O azul celeste dos teus olhos
As tuas trémulas mãos
Postas em jeito de oração
O meu Anjo da Guarda vi:
Estava encarnado em ti.
Eras a imagem doce e serena
Da Fé e da Esperança.
 
Enquanto te fitava
Via os teus olhos
De lágrimas inundados
Que teimavam em não rolar
(Só para eu não chorar)
A esperança em mim brotou
A tua força forte me tornou.

E uma certeza eu tive:
Nada de mal me podia acontecer
Enquanto a meu lado estivesses.


Anjo da Guarda
Mãe
Bendita sejas
Pelo muito que me deste.
 
Maria Ivone Vairinho

publicado por appoetas às 18:26

Abril 25 2010

 

Era jovem como a revolução

na boca trazia uma canção

de igualdade

fraternidade.

 

Povo sou

e vim para a rua

de olhos espantados

maravilhados

no peito uma emoção

os pulsos libertos

das grilhetas da opressão

um cravo recebendo

um beijo trocando

na Festa da Liberdade

 

Maria Ivone Vairinho

 

 

publicado por appoetas às 14:08

Março 21 2010

 

 

Primavera (c. 1478) é um quadro de Sandro Botticelli.

(fonte:Wikipedia) 

 

DIA MUNDIAL DA POESIA

21 DE MARÇO DE 2010

Orlando Neves e Serafim Ferreira, na antologia "800 anos de poesia portuguesa”, começam a introdução com esta frase:

 
"A poesia portuguesa — dos primeiros ecos trovadorescos até aos poetas mais novos da actualidade — estende-se através de um rio caudaloso de oitocentos anos, acompanhando sempre os ritmos e sinais dos tempos, a ideologia e os sentimentos humanos das épocas, a religiosidade do que é mais sublime e a visão cósmica e profunda do mundo em que os homens se situam".
 
Manuel Hermínio Monteiro, o responsável pela espantosa obra "Rosa do Mundo — 2001 Poemas Para o Futuro", sintetiza:
 
"Há muitos e muitos milhares de anos, a poesia aproximou-se do homem e tão próximos ficaram, que ela se instalou no seu coração. E começaram a ver o mundo conjuntamente estabelecendo uma inseparável relação que perdurará para sempre".
 
Na "Rosa do Mundo" são incluídas as mais diversas cosmogonias, abrangendo todos os povos e todos os continentes, versículos da Bíblia, textos do Alcorão, canções e orações de todas as culturas, eruditas e populares.
 
Esta antologia vem confirmar o que já não era segredo para ninguém — a poesia reside na sua essência e não na sua forma. Nesta obra são tratados como poemas o que muita gente apelidaria de prosa poética.
 
Desde sempre, o Poeta foi a correia de transmissão dos sonhos, desejos e utopias do Homem, fazendo apelo aos seus sentimentos mais nobres. E hoje, mais do que nunca, o Poeta deve estar atento, para que os sonhos não morram, para que continuem "a comandar a vida" como disse António Gedeão.
 
Com os poemas dos nossos poetas (grandes entre os maiores) entramos num mundo utópico e real, de amor e raiva, de dor e esperança, de tristeza e alegria, de liberdade e igualdade, de justiça e paz — recuso-me a encontrar antónimos para estas palavras, pois nunca o verdadeiro poeta defendeu a opressão, a escravatura, a guerra, o racismo, a xenofobia.
  •   Porque a Poesia é eterna, acompanhando a evolução, a história do Homem.
  •  Porque a Poesia canta o que de mais sublime existe no Homem e no mundo que o rodeia. 
  •  Porque desde tempos remotos a poesia se instalou no coração do Homem. 
  •  Porque lhe foi reconhecida universalidade, intervenção positiva, defesa dos sentimentos mais nobres do Homem
  • em todo o Mundo se reconhece o seu valor no DIA MUNDIAL DA POESIA.
 Inês Pedrosa aconselha na sua maravilhosa Antologia de “Poemas de Amor”:
 
O amor à poesia não se aprende — nada do que é verdadeiramente fundamental na vida se aprende — mas pode contagiar-se".
 
Vamos, pois, espalhar esta bênção, este amor e contagiar toda a gente!
 
Dia Mundial da Poesia, 21 de Março de 2010
   
Maria Ivone Vairinho - Presidente da Direcção da
Associação Portuguesa de Poetas
 

 

    AOS POETAS
 
Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde o tempo de Esopo conhecidos...
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
 
 Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos.
A passar!
 
Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras.
Asas que em certas horas
Palpitam.
Asas que morrem mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Euguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.
 
Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
Mas sim do mosto que a beleza traz!
 
E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
Duma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
 
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!
 
Homens do dia-a-dia
Que levantam paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!
 
    Miguel Torga
 
publicado por appoetas às 01:38

Março 19 2010
PAI
 
Estava azul o firmamento
A flores o ar rescendia
Não senti passar o tempo
Nesta paz que me envolvia.
 
Recebi um beijo teu
Foi-me trazido p’lo vento
Sorriste só um momento
E o mármore frio aqueceu.
 
Da minha vida o rosário
As contas fui desfiando
Derrotas, pequenas glórias
Uma a uma fui contando.
 
Sem dor e sem amargura
Só com saudade-ternura
Por não te ter a meu lado
Não teres acompanhado
 
A vida que em mim nasceu
Uma rosa pequenina
Dos meus olhos a menina
Como fui dos olhos teus.
 
Uma saudade-pungente
Quando só no meio da gente
Precisava dos teus braços
Para aliviar o cansaço
 
De contra a maré remar
Lutar e não me afundar
Não dar ouvidos à dor
Vencer cada Bojador.
 
Sem tábua de salvação
Sem barco, usei as mãos
Nadei, nadei sem parar
Até meu porto alcançar
Na terra onde nasci
Meu tronco, minha raiz.
 
Assim foi que me ensinaste
Mas quando exausta fiquei
Ontem, hoje, perguntei:
“Pai, por que me abandonaste?”
 
MARIA IVONE VAIRINHO
publicado por mariaivonevairinho às 21:00

Janeiro 09 2010

http://videos.sapo.pt/Zk9KrGNBlTpOQBZEKRIQ

 

O meu computador avariou. Acabou de ser reparado. E como todos os dias  são dias para presentes agradáveis, aqui fica o link para o video que fiz, com muito carinho, para todos vós, baseada nas fotos que tinha em meu poder.

 

BOM ANO com muita paz, amor, saúde...e muita inspiração poética

 

Maria Ivone Vairinho

publicado por appoetas às 15:29
editado por mariaivonevairinho em 08/10/2011 às 19:07

Dezembro 15 2009

 

A MATANÇA DOS INOCENTES
 
morre uma criança
a cada  três segundos
não choram anjos,
não se ouvem trombetas
em toques de alarme
 
um minuto para chorar
sem humanidade
sem solidariedade
vinte deixam de respirar
 
mil e duzentas
numa hora
e ninguém anunciou
a boa nova
da ressurreição
 
o mundo continuou
a girar
indiferente
no seu movimento
de rotação
vinte e oito mil e
oitocentos
cordeiros inocentes
foram imolados
e o Deus de Abraão
não levantou a mão
para impedir o sacrifício
e temos que louvar
o livre arbítrio
 
Herodes voltou
de petróleo encharcado
searas devorou
fontes secou
com seu hálito de fogo
fez chover balas
armas químicas
bombas, mísseis
trezentas e sessenta
e cinco vezes
em guerras se multiplicou
 
um átomo, um nada
no movimento da Terra
no espaço sideral
mas arrancou
dos seios vazios
de mães sem esperança
dez milhões e meio
de crianças 
 
Natal, tempo
para “ser bom”
cantar o amor, a alegria
a paz
entre os homens de boa vontade
 
se  a cabeça enterrasse
no vil pó do barro
de que sou feita
fosse cega, surda e muda
não veria, ouviria
os milhares de gritos de pavor
que saem de todos os cantos da terra
dos cordeiros imolados
rio, mar de dor
alastrando em todos os continentes
 
enquanto uma criança sofrer
de desamor sem igual
e de fome morrer
não me falem em NATAL!
 
maria ivone vairinho
 
 
publicado por appoetas às 20:05
editado por mariaivonevairinho em 28/12/2009 às 16:34

Outubro 23 2009

Ser poeta
É bênção
É maldição.


Num desassossego
De inquietação
Na carne sofrer
Dos outros a dor
A alma desnudar
Sem falso pudor.


Num só verso
Condensar o Universo.


Em cada madrugada
De corpo despido
Abertas as veias
Deixar jorrar
A dor sublimada.


Para ser feliz
Precisar de nada.

 

Maria Ivone Vairinho

(in "Livro da Dor e da Esperança")

publicado por mariaivonevairinho às 18:19
editado por mariaivonevairinho às 18:31

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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